Gotas » A cidade dos muros da vergonha é a sede das Olimpíadas

 
Enviada por: Rafael Martins
Etiquetas: rio; desigualdade; muros; olimpiadas; de; janeiro; mazelas; vergonha;

Por Ramon Zago

O Rio de Janeiro foi eleita seda para os jogos olímpicos de 2016. A cidade é símbolo da modernidade conservadora na gestão pública, símbolo do descaso e das soluções parciais. Terá que resolver problemas extremamente complexos em um período de tempo restrito. A principal ameaça é a miopia de seus gestores que aplicam soluções ultrapassadas para os problemas que o mundo enfrenta.

A prefeitura contrata jovens egressos de cursos de administração de empresas para auxiliar os secretários na proposição de projetos de dinamização da economia carioca com grande potencial de atração de capital internacional em detrimento dos empreendimentos locais. Enquanto algumas iniciativas apontam para uma administração segundo princípios públicos, de aproximação com a sociedade, que contempla visões junto aos movimentos sociais e cidadãos, os cariocas apontam para a contra-mão da frágil tendência de ampliação da participação na gestão pública promovendo maior insulamento e decisões “brilhantes”, mas restritas aos gabinetes.

Para resolver o problema do avanço das moradias irregulares nos morros alguém teve a idéia mais caduca e simbólica de toda a história da humanidade: muros. Na China, na Alemanha, em Israel, nos EUA, entre outros, muros são apontados como soluções para materializar as barreiras antes simbólicas. A justificativa carioca á ainda mais esdruxula: conter o avanço das moradias sobre os remanescentes de Mata Atlântica.

A cidade maravilhosa do carnaval, do tráfico, do caos, das desigualdades e agora das Olimpíadas, ícone turístico que comete as maiores atrocidades contra os seres humanos principalmente dos mais pobres, agora terá um novo desafio: esconder as mazelas que criou ao longo dos 500 anos de sua história. Sim, esconder! Diante das tendências de emprego de modernas tecnologias para repetir antigas soluções, não podemos esperar muito mais do que isso de Sérgio Cabral e Eduardo Paes.
 
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