Gotas » A difícil travessia na Abbey Road de Suzano
Mário Avila
Mestre em Administração pela UFLA-MG, Doutorando em Desenvolvimento Sustentável na UnB-Brasília, professor do CEFET-Go.
Voltei a residir em Suzano depois de quase vinte anos entre Minas Gerais, Goiás, Brasília e Lyon (França). Gosto de dizer que estou muito feliz em ver a administração municipal demonstrando sensibilidade aos problemas urbanos e, dentro das limitações, trabalhando para resolvê-los. Óbvio que ainda precisamos ver muitas melhorias para que possamos dizer que Suzano é uma cidade que respeita seus pedestres, ciclistas e usuários de transportes públicos. A aprovação de uma lei (seja através do legislativo ou do executivo) instituindo a faixa de pedestre como espaço obrigatório onde os motoristas devem respeitar os indivíduos que ali procuram cruzar as ruas é sinal desta preocupação da administração pública.
Falando em faixa de pedestres, a mais famosa delas, em Londres, onde os Beatlles fotografaram a capa do disco Abbey Road é amplamente respeitada...O que importa é que a preocupação é pertinente e acompanha tendências do mundo inteiro. Por exemplo:
em Brasília (leia-se Plano Piloto) basta você colocar os pés na faixa de pedestre e os carros param!! Isso ocorre também em Viçosa-MG, em diversas cidades da Europa e em Caraguatatuba-SP. Mas não é o caso de Suzano. Aqui, a faixa de pedestre ainda é apenas um resíduo de tinta que resta no asfalto das principais vias do município.
E agora? Antes de apontar porquês, penso que devemos nos esforçar em entender o significado da política pública, instituída sob a forma de lei pelo Executivo Municipal. Se resgatarmos a dimensão pública da administração municipal, alcançamos a coisa pública, o interesse da sociedade como prioritário. Por outro lado, considerando a necessidade de recursos financeiros para essa complexa tarefa, alcançamos a arrecadação de tributos e multas como elemento indispensável para a execução da tarefa pública.
Diante disso, prefiro avançar na segunda opção, como fundamental para o exercício da primeira. Portanto, discutirei a seguir, a arrecadação como forma de educação no transito, uma vez que diz o ditado: que só se aprende quando se sente no bolso. Assim, apesar de louvável, a lei da faixa de pedestre em Suzano só “pega” se pedestres e os motoristas sentirem no bolso.
Como fazer:
1) Redefinir as faixas de pedestres e sinalizá-las adequadamente. Exemplos de Brasília e Caraguatatuba, de faixas elevadas e pintadas de vermelho, amplamente sinalizadas, permitem ao motorista a visualização e ação esperada.
2) Remanejamento ou instalação de semáforos para veículos e pedestres nas faixas.
3) Mobilização para educação – apesar dos trabalhos em educação para o transito nas escolas, é urgente a educação de quem dirige hoje. Dessa forma, um remanejamento especial (de todo o contingente) de pessoal da Zona Azul e da fiscalização de transito por duas semanas na principal rua de Suzano é suficiente. Sete dias orientando e os sete restantes multando... Inclusive pedestres!!!
Gostaria de ver essa lei pegar!! Mesmo que para isso eu possa ser multado. É o mínimo que o município deve fazer para garantir a aderência da lei ao “costume” do povo. Ou será que alguém é contra?
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