Gotas » A face política do movimento ambiental

 
Enviada por: Philip Hiroshi Ueno
Etiquetas: governo; advocacy; mudança climática; campanhas;

Organizações na luta pela redução das emissões de carbono devem aprender com as campanhas contra a escravidão e contra apartheid diz Ann Petiffor diretora executiva da ONG Advocacy International e pesquisadora da New Economics Foundation

A comunidade científica finalmente chegou a um acordo sobre as mudanças climáticas. Livros, campanhas e grandes investidores privados sobre o tema se proliferam.

Paul Hawken autor do livro Blessed unrest  afirma que existem mais de um milhão de organizações no mundo lutando pela sustentabilidade ambiental e pela justiça social.

E ainda assim, argumenta Petiffor, não existe um esforço organizado em nível internacional para implementar um marco regulatório que reduza drasticamente a redução das emissões de carbono.

Baixo grau de integração

De acordo com a especialista, as ações das organizações ambientais se concentram em esforços individuais. “No entanto, as mudanças estruturais só podem ser conduzidas pelos governos” argumenta.

Ela cita como exemplo as campanhas pelos direitos civis e abolição dos escravos nos EUA como exemplos bem sucedidos de campanhas que atingiram seus objetivos por meio de eliminação de leis discriminatórias. Destaca também o exemplo do a campanha contra o apartheid, que ganhou forca após a eliminação das leis que legitimavam atos discriminatórios

E conclui, “os movimentos por direitos civis demonstram que uma campanha de sucesso não pára após sua primeira derrota. Ela se move inexoravelmente ao longo do tempo na busca de sua meta legislativa”.

Dividir as responsabilidades

Segundo ela, os indivíduos ou as comunidades não podem lidar sozinhos contra as mudanças climáticas. É  preciso criar um marco regulatório que divida o ônus de maneira justa entre ricos e pobres.

A partilha das responsabilidades tem diversas dimensões “entre aqueles que vivem em Bangladesh e Zurique; aqueles que dirigem automóveis 4X4 e aqueles que andam de bicicleta;os que fazem viagens internacionais e os que não fazem”.

Compromissos para a redução das emissões com datas como 2050 são tão distantes que não colocam pressão sobre os governantes, ressalta.

Desafios

De acordo com Ann Petiffor ainda permanecem alguns desafios. “É preciso haver um prazo claro para a ação governamental”

“É preciso que o movimento ambientalista se una em nível local e internacional”. Além disso, ela aponta para a necessidade de se criar um movimento que tenha uma meta radical que requeira mudança estrutural, regulamentação e fiscalização.

Fonte: BBC
 
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