Gotas » A natureza bem aproveitada

 
Enviada por: Eduardo de Lima Caldas
Etiquetas: desenvolvimento; atitude; energia; sustentavel; tecnologia; aproveitamento; eficiencia;

A crescente demanda por energia, que a humanidade exigiu no decorrer de seu desenvolvimento, foi suprida quase que exclusivamente pela expansão da oferta. Criou-se então um paradigma em que as necessidades energéticas são vistas simplesmente como uma função unívoca: presumem-se as demandas futuras e planejam-se as ações necessárias para expandir a oferta.

Se, por um lado, essa abordagem colaborou sobremaneira com o desenvolvimento tecnológico e econômico em inúmeros setores, a ênfase na oferta de energia também proporcionou diversos impactos à humanidade e ao ambiente. O acesso aos recursos energéticos, notadamente o petróleo, foi o estopim de diversos conflitos no século 20.

Por outro lado, a extração, transformação e transporte dos recursos energéticos foram e continuam sendo causas freqüentes de desastres ambientais, humanos e da poluição sem precedentes do ar, da terra e da água.

Desse modo, de um vetor de desenvolvimento humano, a energia acaba por tornar-se, também, um vetor de degradação de diversos elementos sociais e ambientais. O estresse ambiental, por sua vez, atinge níveis elevados, em certos casos insuportáveis. Fica claro que um novo paradigma é fundamental não apenas para o Brasil, mas para toda a humanidade. Cientes disso, diversos setores da sociedade trabalham, por exemplo, em prol do desenvolvimento de novas opções, entre as quais as energias renováveis, muito mais limpas e democráticas que as fontes fósseis.

Um vetor com grande potencial de contribuição é o aumento da eficiência energética de sistemas e equipamentos. A eficiência energética, quando entendida como a obtenção da melhor razão entre fonte de energia e energia efetivamente aproveitável (energia primária e energia útil), deve ser almejada em todas as etapas da cadeia energética; por motivações econômicas, quando eficiência se traduz em maior rentabilidade, a obtenção, transformação e transporte da energia normalmente apresentam níveis elevados de eficiência técnica. Ainda assim, cabe aos formuladores de políticas e, de forma mais ampla, à sociedade em geral avaliar se a cadeia energética é eficiente não apenas do ponto de vista técnico e econômico, mas se ela atende de forma eficiente o ambiente, o emprego, a saúde e a segurança, entre outros importantes aspectos. Em suma, a eficiência deve colaborar com o desenvolvimento sustentável.

Mas o que é desenvolvimento sustentável? As respostas são várias. De forma geral, elas remetem à idéia que o desenvolvimento sustentável é o “desenvolvimento que satisfaz as necessidades das gerações presentes sem afetar a capacidade das gerações futuras de também satisfazerem suas próprias necessidades”. Para atender essa premissa, é preciso refletir sobre a eficiência no uso final da energia. Essa não é apenas uma questão de tecnologia, mas fundamentalmente de atitudes. As tecnologias evoluirão e já estão disponíveis para diversas aplicações e finalidades: iluminação, refrigeração, condicionamento ambiental, força motriz, cocção etc. Todas contam com opções em variados graus de maturação. É, apesar disso, na forma como entendemos o consumo – não apenas de energia – que se encontra a questão fundamental da eficiência energética.

Fonte: Jornal da USP. Ano XXIII. N°838. Trechos do artigo de Marco Antonio Saidel e Ricardo Fujii.
 
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