Gotas » A prática das expedições como formação continuada

 
Enviada por: Rafael Martins
Etiquetas: caipira; Relatório; cunha; jeca; tatu; serracima; expedição; imensurável; orgulho;

Por Ramon Zago

O CEPPS realizou nos dias 27 e 28 de março sua primeira expedição em busca do Jeca Tatu no município de Cunha. A metodologia de expedição envolve o agendamento junto a uma entidade anfitriã e a proposição de um roteiro semi-estruturado para visitas. A ONG SerrAcima se prontificou a fazer a recepção e apontar os caminhos para à busca. Afinal, por onde anda o Jeca Tatu? Como ele é hoje em dia? Interessante perceber como o fato que a SerraAcima trabalhar com projetos fortemente orientados para Sistemas Agroflorestais foi determinante para o sucesso da expedição em busca do Jeca. Mais interessante ainda é observar que os aprendizados foram muito além do que foi inicialmente proposto.
A experiência foi riquíssima em aprendizados sobre a gestão de ONG, por exemplo. Os processos coletivos de construção das ações são construídos de tal modo que os participantes são protagonistas inclusive nos momentos de prestação de contas. A espontaneidade com que os agricultores envolvidos nas atividades tomaram a palavra e assumiram a posição de protagonistas na assembléia de prestação de contas materializa a característica participativa da atuação da SerrAcima. Os agricultores apresentaram seus pontos de vista, destacaram detalhes relevantes e apresentaram resultados. Para fechar com chave de ouro apresentaram seu relato em versos de uma forma que nenhum relatório jamais poderia ser capaz de fazer. Um jeito simples e espontâneo de interpretar a si próprio que simboliza a força de um trabalho bem articulado e muito coerente em sua integridade. Um relato, que pode ser considerado um resultado, e que diz muito sobre o processo. Há algo de imensurável que um relatório formal não consegue transmitir. Os versos do agricultor trouxe isso essa percepção a tona.
A busca pelo Jeca Tatu encontrou uma realidade muito animadora. O caipira de Cunha encontrou caminhos para afirmar sua identidade coletiva e elevou de sua auto-estima.  A vertente agroecológica, valoriza as tecnologias apropriadas para a agricultura familiar, ao mesmo tempo que potencializa os elementos culturais e identitários dos produtores locais. Mais importante do que encontrar o Jeca foi descobrir que uma das possibilidades bem sucedidas de ser um Jeca com orgulho passa por reforçar as práticas simples que os avós dos agricultores utilizavam e que foram substituídas pelos pacotes tecnológicos que os padrões da sociedade de consumo impôs.

 
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