Gotas » Beleza e Tristeza no caminho do Vale do Paraíba

 
Enviada por: Rafael Martins
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Por José Renato S. Porto

Neste feriado de Carnaval tive a oportunidade de viajar pelo Vale do Paraíba. Percorri, pela Via Dutra, o trecho de Guararema até Resende. Sempre que passo por esta região fico impressionado com a peculiaridade das paisagens do território, repleto de belezas naturais e berço de uma cultura muito rica. Viajei horas podendo observar à minha esquerda as formações extravagantes da serra da Mantiqueira e a minha direita o leito do rio, que mesmo sendo virado e revirado por obras e sujeito a inúmeros tipos de poluição, ainda conserva uma beleza muito interessante. As ocupações urbanas também chamam bastante atenção. Localizadas quase sempre nas áreas de várzea do Paraíba, parecem se estrangular entre os limites entre o rio e a rodovia, formando um perigoso aglomerado urbano.

No entanto, outro fato se sobressai nesse cenário. Quanto mais nos aproximamos ao limite dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, uma nova paisagem aparece em proporções desastrosas. Trata-se do cultivo extensivo de eucalipto. Os morros que antes eram cobertos por mata, ou pelo cultivo de gêneros alimentícios, hoje estão ocupados largamente por essa monocultura conhecida como "Deserto Verde". Essa denominação é fruto das conseqüências negativas que esse tipo de cultivo acarreta, dentre elas o radical empobrecimento do solo e o esgotamento dos recursos dos lençóis freáticos. E não é só no Vale do Paraíba que as plantações de eucalipto vêm se espalhando. Aqui no Alto Tietê esse cultivo já abrange uma área enorme. Espaços que até pouco tempo atrás eram marcados pela paisagem rural tradicional, hoje estão completamente tomados por essas "florestas secas" tão maléficas para o meio ambiente.


 

 
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