Gotas » Buen Vivir – A resignificação de movimentos pela vida: o indispensável é se sentir bem
Texto adaptado do artigo “Bem-Vindas as novas idéias” de Silvio Caccia Bava publicado no Jornal Le monde diplomatique de outurbo/2009 Categoria central da filosofia e vida das sociedades indígenas da região andina, especialmente da Bolívia, onde está incorporada à nova Constituição, surge como um novo caminho para a resignificação das relações na sociedade atual. Nessa formulação não contam tanto as riquezas, isto é, as coisas que as pessoas produzem, mas o que estas coisas produzidas fazem pela vida das pessoas. Este paradigma marca a ruptura epistemológica com a noção de desenvolvimento que não se fundamenta nos padrões do “ter”, mas do “Ser”, baseado em dois eixos centrais: a democracia ecológica que questiona o valor da vida, da diversidade e da cultura, e a economia do afeto e do cuidado, que aposta na qualidade das trocas pessoais. O bem viver fundamenta-se em relações de reciprocidade entre as pessoas e natureza a partir na manutenção de círculos virtuosos que promova a ecologia viva e social. Para a concepção do Bem Viver, o desenvolvimento é um processo de mudanças qualitativas, não contam apenas os bens materiais, mas outros elementos como conhecimento, o reconhecimento social e cultural, os códigos éticos e espirituais de conduta, a relação com a natureza, os valores humanos, a visão futuro. O bem viver deve assegurar que a economia se paute por uma convivência solidária, sem miséria, sem discriminações, garantindo um mínimo de coisas necessárias para todos. Ele expressa a afirmação de direitos e garantias sociais, econômicas e ambientais. Todas as pessoas têm direito e garantias sociais, econômicas e ambientais. Todas as pessoas têm igualmente o direito a uma vida digna, que assegure a saúde, alimentação e nutrição, água potável, moradia, saneamento ambiental, educação, trabalho, emprego, descanso e ócio, cultura física, vestuário e seguridade social. Mudar mentalidades e práticas, não importa o lugar que ocupamos, é imprescindível mudar! Re-politizar é a palavra. A preservação, o fortalecimento e o uso responsável desses bens é condição de vida em sociedade e de uma relação saudável, justa e sustentável com a natureza. Uma tarefa urgente e incontornável é des-privatizar e des-mercantilizar os bens comuns, uma das maiores ameaças para o desenvolvimento includente, um direito coletivo do cidadão, em ter comida, casa, saúde, cultura e felicidade. Re-equilibrar os sistemas sociais, econômicos, ecológicos devem ser a base de qualquer atividade humana. Raízes de uma nova economia. Localizar e territorializar são novas orientações para nos reencontrarmos com nós mesmo e com o meio ambiente. Precisamos de formas de organização que nos permitam internalizar tudo o que pode ser internalizado, produzido aqui para consumir aqui, decidindo aqui o que concerne aos cidadãos e as cidadãs daqui, tendo a cultura e a identidade que nos convêm. Para conquistar o Bem Viver serão necessários processos de distribuição da riqueza e da renda, será necessário recuperar o público, o universal, o gratuito, a diversidade, como elementos de uma sociedade que busca sistematicamente a liberdade, igualdade, a equidade e a solidariedade. |
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