Gotas » Cidades e soluções (II)

 
Enviada por: Philip Hiroshi Ueno
Etiquetas: cidades; transporte; urbanísmo;


Grandes cidades do mundo tem conseguido solucionar problemas de transporte sem usar o metrô como Panacéia. Trens de superfície e sistemas integrados são parte da solução.

Encontrei essa entrevista do Jaime Lerner falando sobre aspectos gerais de urbanismo. É um tanto interessante quanto provocadora sobretudo ao dizer que São Paulo não precisa do metrô.

Concorde ou discorde desse ponto em especial, há questões muito interessantes sobre alternativas de transporte, integração e a relação das pessoas com as cidades.

Jaime Lerner: "O futuro está na superfície"
O urbanista e ex-governador do Paraná Jaime Lerner, 70 anos, quebra uma das certezas dos debates eleitorais: o futuro das grandes cidades brasileiras não está no metrô. Em vez de procurar respiros no subsolo, Lerner propõe a redescoberta da superfície, a integração dos sistemas de transporte.

”Acredito que a gente consegue transportar em superfície um número de pessoas em tão grande quantidade, e em melhores condições, que um metrô. Só que a superfície precisa ser repensada. Temos que metronizar a superfície. São Paulo já errou três vezes e vai continuar a errar enquanto achar que a solução é só colocar a pista exclusiva – critica.“

E a crise do transporte público?
O problema é que existe um pensamento muito centrado em dois pontos: ou é o carro, ou é o metrô. E nós temos que pensar um sistema integrado. Principalmente porque eu acho que o futuro está na superfície.

Por quê?
Porque as cidades que fizeram redes completas de metrô, elas fizeram há cem anos atrás, quando era mais barato trabalhar no subsolo. Hoje, é impossível uma cidade ter a rede completa. O que vai acontecer? Algumas cidades vão ter algumas linhas. Vou dar um exemplo: São Paulo tem quatro linhas de metrô. Mas 84% dos deslocamentos são na superfície. Então, apesar de achar que o futuro está na superfície, eu não procuro provar qual é o sistema melhor. O que não é bom é esperar uma rede completa que nunca vai existir. Às vezes ficam esperando 30 anos por uma linha.

É inevitável a restrição ao transporte individual?
Não. Veja, nós temos que oferecer todas as alternativas. Se houver mais linhas de metrô, tem que ser um smart metrô. Ou, na linguagem carioca, um metrô "esperto" (risos) Se você tem superfície, ônibus, esse ônibus tem que ser esperto. Se você tem bicicleta, é a mesma coisa. Carro, a mesma coisa. Estou evitando falar "smart card" porque não é "smart". Você tem que ter um smart táxi, um smart metrô, um smart bus. Com uma condição fundamental: jamais um sistema competir com o outro no mesmo espaço. Aí você começa a ver que eles são complementares. Tenho certeza que, assim como hoje, os financiamentos só acontecem quando você prova seu compromisso com o meio ambiente. Daqui a pouco, esse compromisso vai ter que ser com a sustentabilidade. As cidades serão obrigadas a melhorar seu sistema de transporte. Hoje, 75% dos problemas de emissões de carbono estão nas cidades. A gente fica assistindo, no mundo inteiro, a essas discussões. Muitos pensam que a sustentabilidade está em novos materiais. É muito importante, mas não é suficiente. Outros acham que está nos edifícios verdes (green buildings). É importante, mas não é suficiente.

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