Gotas » Êxodo urbano: um futuro desejável.
Por Ramon Zago
A partir de territórios em que ocorrem uma fusão entre rural e urbano, como é o caso da maioria das cidades brasileiras, podemos identificar a materialidade de afirmações que contestam a associação simplista entre rural e a agricultura. As cidades intermediárias são importantes pontos de partida para se entender as relações entre o rural e o urbano, que se configura na forma de um sistema complexo de intercâmbios de perspectivas que incluem a reformulação das dimensões sociais, setoriais, temporais, institucionais e espaciais.
No limite, desenvolvimento rural é muito mais do que potencializar a capacidade de exploração agrícola, como ocorre no contexto brasileiro. Pensar o território rural envolve entender as relações dos núcleos urbanos, com maior nível de antropomorfização, e dos espaços rurais pluriativo. Uma enorme gama de atividades econômicas se concentra no setor terciário da economia rural e gradativamente substituem a antiga hegemonia do setor primário. Particularmente para os jovens, esta expansão é uma possibilidade que se mostra muito atraente tendo em vista os apelos da urbanização.
Uma perspectiva que também se acentua como alternativa para desenvolvimento rural é o turismo, que está fortemente associado às práticas de conservação ambiental e valorização de culturas de traços tradicionais. Além de promover elevação de auto-estima, produz externalidades positivas para o contexto mundial, marcado pelo aquecimento global e esgotamento de reservas de recursos naturais.
As cidades intermediárias têm em seu horizonte a possibilidade de figurar como alternativa para o desenvolvimento mundial à medida que potencializa as vocações da nova ruralidade. A pluriatividade rural pode ser o fator gerador do êxodo urbano, que ainda não é realidade, mas que pode ser imaginado sem grande esforço em um mundo de metrópoles em que as pessoas vivem sufocadas pela criminalidade e pelo elevado custo de vida.
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