Gotas » Doze Vagas?
Por José Renato S. Porto
Na ultima quarta feira (20/10), o Diário de Suzano publicou uma notícia que tratou sobre um tema intrigante para quem andou antenado com as questões sobre o Dia Mundial Sem Carro e a qualidade de vida nas grandes cidades. O jornal notificou que a pedido dos comerciantes da região central de Mogi das Cruzes, a prefeitura da cidade retirou as floreiras que, mesmo modestamente, tinham a intenção de melhorar a paisagem do local, que se configura como um aglomerado de estabelecimentos comerciais extremamente desorganizado territorialmente e que apresenta inúmeros problemas urbanísticos. Não que os vasos e as minguadas e mal cuidadas árvores representassem um grande avanço em termos de revitalização da paisagem urbana. Longe disso. Apresentavam-se apenas como mais uma das tentativas incipientes do poder público em tratar da questão ambiental, sempre vazia e pontualmente. Mas o que mais chama atenção é o motivo pelo qual os vasos foram retirados. Os comerciantes demandaram essa mudança para requerer o espaço para a implantação de mais doze vagas para automóveis. Incrível. Não se sabe qual é o fundamento dessa demanda, mas na lógica dessas pessoas, parece que quanto menos árvores e mais carros, melhor. Será mesmo que a utilização desse espaço para estacionamento de automóveis é mais interessante do ponto de vista do mercado do que os antigos jardins? Será que não seria mais interessante economicamente estabelecer um lugar agradável, com árvores, jardins, que atraísse os consumidores pela beleza e sensação de bem estar? Sem mesmo entrar nas questões ambientais, o que parece mais inteligente para os negócios da região? Essas perguntas não precisam de respostas, está mais do que claro o que quero apontar. No entanto, olhar fatos como esse e não entender o quanto esses problemas fazem parte das nossas atitudes é tão negativo quanto praticar a própria ação. Cobrar do poder público que intervenha no sentido de levar em conta as questões da qualidade de vida e do meio ambiente vem sendo o papel de inúmeras organizações da sociedade civil. Mas se não formos capazes de fazer brilhar aos olhos do cidadão comum o quanto essa luta é importante e o quanto cada ação nossa faz a diferença, as nossas empreitadas serão em vão. Fonte: http://diariodesuzano.com.br/main3/conteudo.php?cod=248097&data=2009-10-20 |
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