Gotas » E as Tecnologias Apropriadas?

 
Enviada por: Rafael Martins
Etiquetas: tecnologia; cnpq; apropriadas; carlos; alberto; aragao;

Por José Renato S. Porto

Recentemente a direção do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) teve uma mudança em sua direção. Assumiu a presidência o senhor Carlos Alberto Aragão, Físico de partículas da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Entretanto, quando lemos a entrevista que esse senhor concedeu à Folha Online, vemos que o descaso com a questão de iniciativas que valorizem as tecnologias apropriadas, permanece inalterado na política de incentivo dessa instituição que, diga-se de passagem, é uma das mais importantes em termos de desenvolvimento de tecnologia nacional.

O novo presidente opta por construir um discurso onde valoriza a aproximação da produção acadêmica à iniciativa privada. A desculpa é a de que, dessa forma, o montante de recursos tenderia a aumentar, e assim também aumentaria a quantidade e qualidade da formação de pessoal. Mas a questão que nos intriga é: formação de pessoal para que?

Certamente que uma empresa privada que investe no desenvolvimento de pesquisa e tecnologia, não está preocupada, prioritariamente, com os benefícios e externalidades positivas que esse investimento pode proporcionar à sociedade como um todo. Óbvio que não. Essa não é sua natureza. A empresa privada objetiva o lucro. E o CNPQ? Objetiva o que? A produção de tecnologia para o lucro privado ou a produção de pesquisa e tecnologia com intuito social?

Duvido que, se essa questão fosse colocada ao presidente Aragão, ele responderia negativamente quanto ao propósito social. De modo algum. Ele nunca poderia negar isso. Mas como então ele explicaria a completa ausência do debate sobre tecnologia social e apropriada no seu discurso? Pensem no orçamento total da instituição (mais ou menos 1 bilhão de reais).

O quanto que uma pequena parte desse bolo não poderia ser destinada a projetos de tecnologia apropriada e o quanto isso não geraria enormes impactos sociais reais?

Dizem que a vida é feita de escolhas. Talvez estejamos escolhendo mal.


 
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