Gotas » Formação ou Homogeneização? A aula inaugural do protocolo
Por Natália Almeida A aula inaugural do Curso de Formação de “Voluntários” do Protocolo em Defesa da Recuperação Socioambiental do Rio Tietê, foi realizada ontem, dia 13 de abril, com um salto de qualidade pelo menos no que diz respeito ao nível de formação, experiência e qualificação dos que estavam em cima do palco. O professor Marcos Sorrentino marcou a noite com uma apresentação simples e comovente, e como sempre pautada em elementos da Educação Popular. Paulo Groke, coordenador do Instituto Ecofuturo da Cia Suzano, apenas foi coadjuvante da noite. O presidente do Sub-comitê Alto Tietê, Marcelo Candido, foi recebido com vaias da platéia. Candido, prefeito da cidade de Suzano, que atrasou o evento em mais de uma hora, vem sofrendo grandes críticas da população local devido aos problemas que sua gestão vem trazendo à cidade, e em especial a greve dos professores da Rede Municipal iniciada na última terça-feira. A apresentação de Sorrentino foi singular, em uma fala contagiante que tratou da homogeneização de saberes, dos desequilíbrios socioambientais, da arqueologia virtual do presente apresentada por Boaventura de Souza Santos, da resistência contra-hegemônica do movimento ambientalista e outra rede de assuntos, tendo como eixo central o questionamento sobre os valores e vínculos que estamos perdendo como comunidade global e a importância da organização local. Infelizmente o brilho do Sorrentino, não ofusca problemas sérios relacionados a concepção e condução do processo. A divulgação do evento foi restrita, a proposta de formação dos jovens é frágil e a concentração das atividades do protocolo se mantém na cidade de Suzano. Além disso, cabe ressaltar que, a ilusão do auditório cheio foi provocada pela convocação da platéia para a atividade, que naturalmente não era só de voluntários: salas de aulas inteiras, das escolas próximas, foram redirecionadas para encenar público e fazer volume. Detalhes que tragicamente não são de conhecimento dos palestrantes. O protocolo vem mostrando que a região da sub-bacia Tietê Cabeceiras, ainda é uma região marcada pelo coronelismo, por ONGs prestadoras de serviço as prefeituras que insistem em ter legitimidade para representar a voz da sociedade civil, por pactos “sociais” liderados por técnicos de algumas prefeituras que não passam de papagaios de pirata, e como de praxe, por muito dinheiro público sendo mal gasto. É uma pena que sejam poucas as pedras no caminho desse processo, pois a homogeneidade de saberes e sabores tratada por Sorrentino, contamina a cidade de Suzano há tempos sem que ajam vaias suficientes para tanto desgosto e desrespeito. |
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