Gotas » Mas porque Culturas Híbridas?
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Enviada por: Rafael Martins
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Por Ramon Zago
Entender o processo de hibridação cultural é uma forma de compreender as dinâmicas socioculturais de combinação, pré-existentes de forma separada, para geração de novas manisfestações, desde as estruturas até as práticas discretas. Um olhar crítico sobre estes processos passa a ser possível a partir do momento que o foco está na identificação das combinações. Esta é uma forma de lidar com o fim das antigas oposições entre rural e urbano, moderno e tradicional, culto e popular. O método de análise sociocultural proposto por Néstor Canclini (2003), em Culturas Híbridas, reconhece o fim das formas puras e coloca no lugar mecanismos de identificação das desigualdades de prestígio e de poder entre as culturas que se fundem como forma de valorizar os contatos interculturais sem que este contato suprima autenticidades e autonomias. Os recursos para “entrar e sair da hibridez” são a capacidade de DESCOLECIONAR, propriedade de permitir trocas, reprodução e contemporaneização, e DESTERRITORIALIZAR-se, propriedade de transitar e difundir-se em diversos territórios. Os fluxos de comunicação, financeiro, recursos naturais, mão-de-obra e pessoas são os guias da análise. A metodologia de estudo proposto a partir do enfoque das Culturas Híbridas aponta para um exercício mais de descrição do que de decisão, sendo assim, não é adequada para busca da pureza. As consequências de um olhar metodologicamente preparado para observar a hibridação são muitas. Híbrido é uma forma de: (1) reconhecer e buscar mais objetividade quanto a imprecisão dos resultados socioculturais dos processos migratórios, turísticos, econômicos e comunicacionais; (2) identificar e estimular os processos de resignificação do patrimônio material e imaterial; (3) reinserir o patrimônio em condições de produção e de consumo justos; (4) preservar e discutir qual é a essência dos originais ao passo que acompanha a reestruturação das identidades individuais e coletivas.
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