Gotas » Melhor qualidade de vida para todos
O governo brasileiro, a partir da década de 1980, criou programas como o Procel, ligado à Eletrobras e ao Ministério de Minas e Energia, e o Conpet, ligado à Petrobras, que implementam atividades que visam ao uso racional de energia em diversos setores da sociedade, como, por exemplo, os programas de etiquetagem de equipamentos eficientes (geladeiras, máquinas de lavar roupa, ar-condicionado etc.) e o selo que qualifica dentro de indicadores bem definidos e medidos por laboratórios da rede metrológica do Inmetro. Em 2001 foi promulgada a lei de eficiência energética. Depois disso, as concessionárias passaram a realizar ações de eficiência energética, como substituição de lâmpadas incandescentes por lâmpadas compactas fluorescentes, troca de geladeiras por outras mais eficientes, instalação de aquecedores solares e regularização dos consumidores. O programa também tem substituído os faróis de trânsito com lâmpadas normais por sistemas que utilizam lâmpadas LED. Nas indústrias, tem feito diagnóstico energético e, no setor público, tem atuado em diagnóstico de prédios e na substituição de sistemas de iluminação por sistemas mais eficientes, por exemplo, substituindo lâmpadas de mercúrio pelas de sódio. Algumas empresas já estão testando lâmpadas de indução para sistemas de iluminação de túneis. Nos próximos anos, algumas ações devem ser implementadas ou ampliadas para obtermos mais resultados positivos nas atividades ligadas aos programas de eficiência energética. Dentre as ações, destacam-se: - ampliar o programa de universalização do atendimento de energia (Luz para Todos), principalmente de comunidades isoladas; - implementar a certificação das edificações, criando indicadores que permitam ter referências de boas práticas e uso de materiais adequados e eficientes; - implementar programas de uso racional e eficiente de energia em toda a cadeia energética, incluindo a produção, a transmissão, a distribuição e o uso da energia; - ampliar a divulgação das vantagens da eficiência energética junto à população; - repensar o transporte nas cidades visando a um melhor atendimento da população e à redução de emissões atmosféricas através de uma análise do plano diretor das cidades, visando a uma redução do tempo, do deslocamento das pessoas e dos insumos nas cidades; - ampliar programas de divulgação e a incorporação de atividades e estudos que envolvam eficiência energética nas escolas do ensino básico, fundamental e médio; - ampliar o número de disciplinas que desenvolvam conceitos e estudos sobre eficiência energética nos cursos de escolas de engenharia, cursos de tecnólogos e em cursos técnicos; - ampliar programas de diagnóstico e de ação sobre eficiência energética nas empresas e instalações do setor público; - criar indicadores mensuráveis que permitam medir objetivamente os resultados dos programas de eficiência energética, como o Procel, o Conpet e os programas de eficiência energética das concessionárias de energia elétrica, obrigatórios pela Aneel; - criar a etiquetagem de veículos de transporte, para termos referências claras do consumo de combustíveis dos veículos produzidos e utilizados no Brasil. Esta proposta já está sendo encaminhada pelo Conpet; - utilizar e desenvolver tecnologias mais eficientes que permitam realizar o mesmo processo com menor consumo de energia, observando sempre as curvas de aprendizado dessas novas tecnologias; - ampliar políticas claras e mandatórias e não voluntárias, que favoreçam o uso racional e eficiente de energia, como pode ser visto em algumas experiências internacionais; - ampliar a criação de leis que facilitem a implementação de atividades de uso racional e eficiente da energia, como as diversas leis aprovadas nos municípios que promova o uso de aquecimento solar de água; - ampliar linhas de créditos do setor financeiro que facilitem a troca de equipamentos por mais eficientes ou ainda o diagnóstico e a posterior implantação de soluções energéticas mais eficientes; - aumentar o monitoramento das perdas em toda a cadeia energética para poder detectar as causas de perdas excessivas e reduzi-las; - ampliar a co-geração de energia, principalmente usando rejeitos dos processos, como é o caso do bagaço de cana e do gás de aterros de lixo; - implementar geração distribuída, principalmente perto dos grandes centros de consumo. O uso racional e eficiente da energia é uma maneira mais inteligente e útil para a sociedade lidar com a energia, sem se privar do seu uso, que garante uma melhor qualidade de vida. Fonte: Jornal da USP. Ano XXIII. N°838. Trechos do artigo de José Aquiles Baesso. Para saber mais sobre eficiência energética, veja o vídeo abaixo. |
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