Gotas » Uma cidade abandonada

 
Enviada por: Rafael Martins
Etiquetas: suzano; Contas; tribunal;

Por Ramon Zago

O jornal "A tribuna de suzanenses" dos dias 17 a 23 de abril trouxe o retrato de uma cidade abandonada. Ruas do centro do município com buracos que engolem carros, roedores e outros vetores de doenças presentes em todos bairros, enchentes constantes e, pra fechar com chave de ouro, contas reprovadas pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo. A prefeitura e a câmara estão envolvidas em uma avalanche de desrespeito contra a população suzanense que vai desde os serviços até os cofres públicos.
Na lista de serviços deficitários a pavimentação e a saúde despontam na liderança das carências na cidade abandonada, segundo enquete promovida pelo jornal. O descaso só não é maior porque algumas iniciativas populares dão conta de parte das responsabilidades que seriam do poder público. Iniciativas estas que nem sequer chegam ao conhecimento dos gestores de plantão. Ao invés de fortalecer iniciativas populares, consolidar políticas públicas eficientes e promover serviços públicos de qualidade, o poder público local mobiliza seu pessoal para construção de protocolos de intenções, que são apenas intenções. O que os gestores querem mesmo é o erário. Este sim tem sido o principal motivo de mobilização de forças políticas nas arenas políticas da municipalidade.
Um total de R$ 1.013.344,64 deverá ser devolvido por vereadores, ex-vereadores que hoje ocupam cargos no executivo municipal, entre outros ocupantes de cargos de confiança na prefeitura, a maioria destes de primeiro escalão.  Estes valores são referentes ao uso indevido de verbas de gabinete no ano de 2003.
Será que com todo este recurso a cidade ganhará serviços mais decentes? Ainda que exista essa intenção isso não partirá dos nossos gestores locais por um motivo muito simples: eles abandonaram a cidade de tal modo que provavelmente não sabem o que é necessário ser feito. Ainda que soubessem, não basta aplicar dinheiro em obras. O dinheiro não pagará pela ausência. A cidade precisa de cuidados que só quem vive nela consegue oferecer.
 
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