Gotas » O que a festa da democracia pode nos ensinar?
A experiência de viver este momento junto com antigos e novos amigos aqui na Conferência Nacional de Juventude, em Brasília, de 9 a 12 de dezembro de 2011, está sendo fantástica. Pessoas inspiradoras, com histórias de vida singulares, trocam aprendizados em busca da efetivação de direitos. A energia das juventudes dá um tempero todo especial aos processos políticos de debate e mobilização. Simplesmente de mais. Mas nem tudo vai bem aqui na capital federal. É uma ofensa o fato de que o trabalho de revisão dos texto base dos Grupos de Trabalho Temático (GT) simplesmente ignorado pela consultoria contratada para realizar a sistematização do resultado das Conferências Estaduais. O GT de Meio Ambiente foi o mais radical ao não reconhecer o texto e negar-se a realizar uma nova revisão. As propostas serão encaminhadas sem o texto introdutório. Me preocupa muito o modo como são encaminhadas e tratadas as contribuições e as manifestações das juventudes. Ainda que o Governo Federal se mostre aberto ao diálogo, fica o receio de que estes espaços sejam apenas um momento de legitimação que não passam de uma grande festa, com músicas, sorrisos e sonhos, sem repercussão nas decisões de políticas públicas. A conferência com certeza é apenas um primeiro passo para efetivação de direitos. Vi nestes dias muitas autoridades elogiarem as mobilizações, as propostas, a animação e a descontração, mas não vi ninguém se comprometer com propostas objetivas. Um detalhe que reforça este receio é que os GT foram postergados em função do atraso da programação, mas as palestras e as festas não foram afetados pelo remanejamento dos horários. Pior é que não vejo ninguém se incomodar com isso. Pelo contrário, percebi muitas pessoas empenhadas na celeridade do processo para “aproveitar o espaço”. Isso tudo tem muito a ver com a presença maciça de juventudes partidárias com suas práticas de manobra. O debate não é interessante para as autoridades, nem para as lideranças partidárias. Tenho a impressão de que ninguém que firmar compromissos neste momento. As circunstancias vão definir as orientações das decisões, que serão negociadas nas cúpulas e legitimadas pelas manifestações festivas das juventudes. Entre as possíveis intencionalidades do descaso com o produto do trabalho político nas etapas anteriores, diante das estratégias evasivas do não-comprometimento, observando as novas formas de manifestação das práticas políticas oligárquicas, fica a certeza de que o mais importante foi viver estes momentos, mas que tudo isso vai refletir em decisões de políticas públicas não tenho a mesma convicção. |