Gotas » Os empreendedores da destruição e os protocolos de intenções
Por Ramon Zago
Agora Suzano tem acesso facilitado para a Rodovia Ayrton Senna. A intervenção super-socioambiental é uma via que corta a região de APA mais ameaçada pela ocupação desordenada, uma vez que um bairro extremamente adensado da cidade e com um histórico de formação por ocupação irregular está a menos de 100 metros.
Com um investimento de R$ 33,8 milhões foi financiado pelo Governo do Estado de São Paulo a obra materializa o que os gestores públicos de plantão chamam de progresso. Trata-se de uma modelo que ignora a existência das pessoas e das demais formas de vida e que prioriza os veículos individuais movidos a combustão.
Assim com o Armando da Farmácia (Itaquaquecetuba), o Marcelo Candido (Suzano) também deveria receber o reconhecimento do Sebrae . José Serra como governador também deveria ter reconhecido seu ímpeto destrutivo, ainda que precisássemos mudar o nome da premiação. Os gestores super-empreendedores mostram a que vieram ao mesmo tempo que promovem o que podemos chamar de uma contravenção ao protocolo que acabaram de celebrar.
Mas talvez eu esteja sendo severo demais. O que tem no protocolo são apenas intenções vagas em um documento de nome bonito que garantiu palanque para os amigos. Se parecia haver um objetivo enrustido no Protocolo, podemos constatar que foi um esforço inútil. Seja PT, PR, PSDB ou SEBRAE se trata da mesma forma de ver o mundo: um lugar para retirar riquezas, acumula-las e apropriar-se delas de forma privada.
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