Gotas » Árvores na Cidade
Nos parques, praças ou mesmo em ruas mais arborizadas a sensação de redução do calor é verificável por qualquer cidadão que se disponha a descumprir a rotina frenética da cidade e visitar um desses oásis. Pesquisas demonstram que não é preciso de grandes áreas. Cada árvore é, em si, um oásis, capaz de melhorar o conforto térmico ao seu redor. De acordo com a dissertação de mestrado de Loyde Abreu (UNICAMP), a principal causa desse bem-estar é o aumento da umidade relativa do ar. Tome-se como exemplo o jambolão que perde aproximadamente 100 litros de água por dia. Qual a umidade do ar ao redor dessa árvore? a 10 m, a umidade média é de 68%; a 50 m, esse índice cai para 57%. Ambos superiores ao índice mínimo (30%), definido pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Importante discernir que não se trata de mudar a temperatura, mas de alterar a sensação de frescor do ambiente. A vegetação também ajuda na absorção de parte da radiação que vem do Sol. No caso do jambolão, a absorção promovida pela copa chega a 89%. Galhos e folhas, por sua vez, auxiliam na redução da velocidade do vento e assim também auxiliam na sensação de frescor térmico. Método Como medir o conforto térmico? Para responder a essa pergunta, Loyde Abreu entrevistou cerca de 90 pessoas em um bairro pouco arborizado de Campinas. Cada participante deveria escolher, dentre cinco cartões, a imagem que mais se aproximava de sua sensação térmica, do muito frio ao muito quente. Paralelamente a isso, foram registrados certos dados: temperatura, umidade do ar, velocidade do vento, e características do entorno – paredões de concreto, prédios, árvores bem como o revestimento do piso (asfalto, lajotas, terra). Também foram consideradas as roupas do entrevistado (textura e cor). Ao relacionar as respostas dos participantes com os dados registrados, observou-se que um fator importante que definia a sensação térmica das pessoas era a proximidade das árvores. Quem estava rodeado por asfalto e cimento sentia desconforto térmico. Mas se houvesse uma árvore mesmo com copa rala por perto a sensação era tolerável. Quando a árvore era frondosa, a sensação era de conforto. Abreu avaliou a importância das árvores em termos de garantir boa sensação térmica às pessoas. Quatro árvores foram avaliadas isoladamente: um jambolão, uma mangueira, um jacarandá e um ipê – nas versões folhadas, sem folhas e com flores. O ipê com folhas, com tamanho excelente para ser plantado em áreas urbanas, foi a opção que ofereceu conforto térmico por mais tempo (cinco horas) tanto a 25 m quanto a 50 m. Finalmente, Abreu avaliou um grupo de chuvas-de-ouro, com cinco árvores. Essa foi a opção que ofereceu mais conforto térmico à distância -10 horas por dia, a 50 m de distância. Abreu concluiu que quanto maior o número de árvores, maior o efeito. Uma árvore sozinha, embora melhore a sensação térmica, não diminui a temperatura. Um parque, sim. Nos mapas do Atlas Ambiental da Cidade de São Paulo, percebe-se que as regiões mais frias de São Paulo são as mais arborizadas. No que diz respeito a São Paulo, também é interessante observar que há uma alta correlação entre os bairros mais quentes, mais pobres e menos arborizados. Fonte: Folha de São Paulo (23/10/2008) |
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