Gotas » Seleção de atrocidades
Por Ramon Zago
Muito distante da euforia entorno do campeonato mundial de futebol encontra-se o cotidiano repleto de injustiças e absurdos. Pegamos por exemplo o Zimbábue, um país cuja economia está em franca decadência, sua população encontra-se em péssimas condições de sobrevivência e os serviços públicos não menos ruins. Para o jogo com o Brasil, Robert Mugabe, no poder a trinta anos, desembolsou um cachê de nada menos do que R$ 3 milhões (US$ 1,8 milhões), segundo o jornal Agora, que corresponde a quase metade do PIB daquele país no ano de 2009. A preocupação dos Brasileiros que assistiram aquele jogo, provavelmente no mesmo canal, era com as dores de Kaka, que tem o salário de R$ 2,116 milhões (€ 833 mil), segundo o Globo Esportes.
Pegando o exemplo da Tanzânia, os números não são tão absurdos, mas a questão de fundo também reflete a problemática ambiental. O cachê pago à CBF foi de R$ 3,7 milhões (US$ 2 milhões), segundo a Super Esporte, algo tão elevado quanto o Monte Kilimanjaro, que fica localizado ao norte do país. Desta vez não era o degelo do ponto mais elevado da África, conseqüência do aquecimento global, ou as desigualdades e a corrupção que assolam as populações africanas que preocupavam os brasileiros, mas os olhos se voltavam novamente para as dores de Kaka.
O caça-níqueis da CBF não parece ter escrúpulos e encontra um público eufórico tomado de fanatismo anencefalo. Levar os craques para posar ao lado dos maiores ditadores do mundo africano, enquanto estimula o consumo de itens celebrativos produzidos por uma indústria de base energética fóssil, e saqueia os cofres dos anfitriões, parece ser algo normal para os brasileiros: um motivo de orgulho. Quem acredita que o futebol pode fazer bem a saúde ainda não parou para pensar o que está rolando nos bastidores dos gramados.
|
Gotas Recentes
|