Gotas » Sobre o Protoloco do Sub-comitê Cabeceiras do Alto Tietê e o Parque Várzeas do Tietê

 
Enviada por: Rafael Martins
Etiquetas: suzano; rio; dia; educação; tietê; bacia; arvore; ambiental; várzea; parque; sub; comite; consciencia;

Por Natália Almeida

Os engenheiros que me desculpem, mas por muito tempo, os rios eram por eles classificados como: corpos hídricos contínuos e delimitados por bacias hidrográficas, com potencial de transportar esgotamentos sanitários e demais efluentes, além de deslocar resíduos sólidos de um ponto a outro. E assim, chegamos nessa situação calamitosa, em que os rios são esgotos a céu aberto. Todavia, diante das mudanças gradativas que esta visão sofreu ao longo das décadas, em que os efeitos negativos da poluição desenfreada dos rios apareceram com mais força, chegamos a diferentes soluções para contornar esse problema sinuoso. Entre as principais estratégias está a participação, institucionalizada nos comitês de bacia, agências e consórcios para a gestão dos recursos hídricos escassos em qualidade.

Dentro desses avanços, Suzano comemorou o Dia da Árvore no último dia 21 de Setembro, cedendo seu território para o encontro do Sub-Comitê de Bacias Hidrográficas Alto Tietê-Cabeceiras. Um evento mais ou menos chamado de “Diálogos e reflexões sobre o Rio Tietê”, que teve um tom de “vamos mostrar logo o trabalho, para ter com que nos desculpar depois”, regido por uma mistura de apresentação de dados alarmantes pela DAEE e CETESB, que mostraram claramente o papel criminoso de Suzano, no decréscimo da qualidade da água do Rio Tietê, acompanhado da velha e “convincente” apresentação da SABESP, e tendo por fim, a apresentação da extraordinária solução inovadora regional: Parque Várzeas do Tietê. Projetado a cerca de 33 anos atrás pelo arquiteto Ruy Otake.

Atrasos à parte, de reflexão e participação o evento teve muito pouco, ou melhor, só tivemos as dos prefeitos, que novamente (re)lembraram sua responsabilidade como gestores do Rio Tietê. Rio esse que deixa de ser barreira para o “desenvolvimento” e passa a ser “eixo estratégico de planejamento da cidade e da região”, como disse Marcelo Cândido, prefeito de Suzano.

A platéia assistiu passivamente as brilhantes explanações e teve direito a 4 perguntas que foram mal respondidas, onde o representante do projeto do Parque Várzea, engenheiro do Governo do Estado, fez piada com a questão do deslocamento da população local. De ecológico, mais uma vez, a iniciativa do Governo do Estado deixa a desejar, pois por várias vezes, a proposta foi resumida como, o oferecimento de equipamentos de lazer. E, assim, os remanescentes vegetais passam a ser oportunidades para ofertar lazer e esporte para as comunidades e “limpar”a imagem do governo.

Ficam as perguntas: onde estarão os projetos de tratamento de esgoto das estruturas de lazer, as instalações de energias alternativas, a proposta do projeto de redução de resíduos, a concepção de sustentabilidade e educação, e os mecanismos de participação e transparência das decisões? Ah, esses ficam para depois!

A proposta de Protocolo Socioambiental do Sub-comitê está lançada, e para variar, a cereja do bolo na festa, foi mais uma vez a Educação Ambiental. Aquela das palestras, das aulas de campo para ver o rio e os bichinhos, a das oficinas de papel reciclagem, enfim, aquela que levará CONSCIÊNCIA para os que sentem falta dela.
 
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