Gotas » Territórios pedagógicos e as novas governabilidades

 
Enviada por: Rafael Martins
Etiquetas: ONG, regulação, eman;

Por Ramon Zago

A perspectiva de território passa a figurar com uma força ainda mais intensa nos processos de luta por direitos à medida que a integração global permite que as trocas de informação e de influência. Nos territórios as pessoas vivem e as coisas acontecem, lá se dão os processos de aprendizado, mas processos de opressão semelhantes ocorrem em outros territórios e esta troca permite que as estratégias territoriais tenham convergência e os aprendizados ecoem com maior vigor. A globalização das lutas sociais permite a superação da fragmentação das lutas. Os territórios de resistência se configuram como experimentação política e permite o encontro de diversos saberes que dão vida aos processos pedagógicos.
As possibilidades pedagógicas dos territórios podem se converter em processos de emancipação ou de regulação de acordo com a ocorrência das distintas formas de governabilidade. Muitos movimentos sociais converteram-se ou alinharam-se com organizações não governamentais (ONG). Este processo, por vezes, substitui a lógica de luta por direitos por uma lógica de gestão de projetos e programas. A gramática do caciquismo, que introduz uma relação de clientela com a população atendida e de senhoril com os mantenedores financeiros dos projetos, reduz as iniciativas a uma relação pragmática limitada pelos recursos e pelos prazos. Será que o sucesso de uma iniciativa social está vinculado a capacidade de captar recursos, mesmo que se aproxime de estruturas de regulação da sociedade e de distancie do ideal de emancipação?
O que representou a alternativa de consolidação das conquistas por meio de ações concretas perverteu o sentido da luta e agora é um instrumento de dominação e de regulação da sociedade. Essa não é a realidade de absolutamente todas as iniciativas gerenciadas por ONG, mas é um dilema com o qual elas têm que lidar para se manter ativas e recriar os espaços públicos. O importante deste dilema é a identificação do local de onde se realizam as leituras que orientam o processo decisório e a tomada de decisão. De qual território, informado por quais redes, por meio de qual institucionalidade, de onde parte os olhares que orientam as decisões e informam a consciência? 

 
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