Gotas » Todo Dia é Dia da Árvore
O crescimento urbano tanto nas áreas centrais quanto nos loteamentos periféricos está orientado para um padrão de civilização que desconsidera a necessidade de contato permanente do homem com o meio ambiente natural. Assim, as áreas são, em geral, impermeabilizadas pelo asfalto, o padrão construtivo dos imóveis públicos e privados desconsidera a circulação do ar, e o potencial de área verde – jardins, parques e hortas – é muitas vezes liquidado pelo cimento. Além da revisão do Plano Diretor e da Lei de Uso e Ocupação do Solo no que diz respeito à regulação construtiva, o gestor público deve pensar na possibilidade da formação de parques, praças e mini-bosques que tornem a área urbana mais bela e agradável e dificulte a apropriação indevida de áreas públicas por ocupações irregulares. Os parques, praças e mini-bosques são, grosso modo, áreas arborizadas com espécies de crescimento rápido, preferencialmente nativas, adequadas inclusive para alimentar a fauna local, fazendo com que esta permaneça, cresça ou, se já não existe, retorne. Trata-se de áreas que poderiam receber, além da flora, bancos e brinquedos rústicos, além de iluminação pública com energia solar (fotovoltaica). O desenho arquitetônico dessas áreas bem como o plantio das árvores deve ser feito junto com a população. Aliás, a participação popular, além de princípio democrático, é elemento fundamental para que a população se aproprie do espaço público como espaço comum e de todos e não como espaço de ninguém e abandonado. Essa participação é elemento fundamental para o período de “pega”, que dura de seis a doze meses, e no qual as árvores devem ser mais intensamente cuidadas e protegidas. Como o tema ambiental perpassa outros campos de conhecimento e de intervenção pública, a sensibilização das comunidades e o planejamento da intervenção podem ser feitos por meio de atividades de formação e disseminação de informações nas escolas. As escolas passariam inclusive a ter um currículo escolar, desde Ensino Fundamental até o Ensino Médio, enriquecido com aulas de introdução à ecologia, botânica e biologia. Parques, praças e mini-bosques seriam laboratórios para um conjunto de atividades que iriam desde o acompanhamento do crescimento das árvores, até a observação de micro organismos da terra e de aves. Escolas e alunos também poderiam adotar árvores para tornar mais verdes as áreas urbanas geralmente cinzas e monocromáticas. |
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