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Enviada por: Rafael Martins
Etiquetas: biodiversidade; mídia; Suzano Papel e Celul; Maranhão; Eucalipto; sociedade civil;

Por José Renato Sant'Anna Porto

    Se por um acaso sairmos perguntarmos nas ruas de Suzano qual é a relação que os suzanenses tem com as pessoas que moram no interior do Maranhão, com certeza, pouca gente saberá dizer.
    Apesar da distância geográfica, os cidadãos maranhenses e os suzanenses estão ligados por um problema que transcende as bases territoriais. Esse problema reside no fato da maior empresa do município de Suzano, a Suzano Papel e Celulose, estar pleiteando um aumento cada vez maior da área de cultivo de eucaliptos no interior do estado do Maranhão. Se por um lado, os cidadãos suzanenses sofrem no dia a dia com todos os efeitos deletérios (políticos, econômicos e ambientais) de serem a sede dessa empresa, por outro os maranhenses vem tendo que conviver com os problemas advindos dos desdobramentos que a ação da empresa ocasiona com vistas à expansão das atividades da monocultura de eucalipto na região.
    Segundo um artigo¹ publicado no site da Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH) o que mais preocupa nessa ação de expansão do setor florestal, encabeçada pela Suzano Papel e Celulose, é o pouco diálogo e a assimetria de informação que essa empresa e os entes financeiros envolvidos estruturaram com relação à sociedade civil maranhense. Em outras palavras, a empresa utiliza de um domínio midiático regional para expandir a base territorial do cultivo do eucalipto, e é através dessa propaganda que consegue persuadir a sociedade civil, transmitindo a idéia de  falso progresso e melhoria da qualidade de vida. Além disso, com o controle dos meios de informação regionais, o debate acerca da perda da biodiversidade (uma, dentre as inúmeras conseqüências negativas da monocultura de eucalipto) permanece tímido no âmbito da sociedade civil, que além de serem os maiores prejudicados, são também os atores com maior potencial de ação de proteção, tanto autonomamente, quanto fazendo pressão junto ao poder público.
    Creio ser de grande relevância aos cidadãos suzanenses entender até que ponto chega a audácia e a voracidade capitalista da Suzano Papel e Celulose, que, afinal, carrega no seu front o nome da cidade.

¹  SMDH - Sociedade Maranhense de Direitos Humanos.“Os segredos da monocultura no baixo parnaíba maranhense ” (www.smdh.org.br)
 
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